O ano era 2015.
Na verdade, essa história começou um pouco antes, quando deixei São Paulo, devolvi a sala comercial em construção que havia adquirido por lá e me vi diante da tarefa de construir novos caminhos em Curitiba.
Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de adquirir uma sala no Vega. Naquele momento, o edifício era uma novidade na Avenida República Argentina. Na ocasião, ainda estava em construção e quando recém-inaugurado, chamava atenção por sua fachada espelhada. Era impossível passar por ele sem notar sua presença.
Mas o tempo passou.
Outros prédios foram surgindo, a paisagem foi se transformando e aquilo que antes se destacava tornou-se parte do conjunto. Hoje, o Vega está quase mimetizado entre tantas construções que ocuparam seu entorno.
Ao lado, ergue-se um prédio gigantesco. Antes, havia ali uma casa. Havia também o Golden Retriever, que costumava “recepcionar” quem passava em frente com seus latidos. Em alguns momentos, as sessões eram interrompidas pelo som dos cachorros. Hoje, as interrupções vêm dos ruídos das obras, das conversas dos trabalhadores e do movimento constante de uma cidade que continua crescendo.
Talvez esse seja o preço (ou o reflexo) da evolução.
Em agosto, o consultório completará 11 anos naquele espaço.
E é curioso olhar para trás e perceber que, enquanto a paisagem ao redor se transformava, tantas outras mudanças aconteciam também dentro dessas paredes.
São anos de encontros, despedidas, aprendizados, alegrias, desafios, conquistas e recomeços. Algumas experiências foram leves; outras, nem tanto. Mas todas fazem parte da construção dessa trajetória.
Talvez por isso 2026 venha trazendo reflexões tão especiais…
Neste ano, deixei de ser psicóloga paulista atuando no Paraná para me tornar oficialmente psicóloga paranaense. Uma mudança que, à primeira vista, parece apenas burocrática, mas que acabou despertando algo maior: uma vontade de olhar para trás, ligar os pontos e reconstruir o caminho percorrido.
Lembrar dos começos…
Das incertezas da mudança de cidade…
Da aposta em um consultório novo…
Dos sonhos que deram certo e daqueles que precisaram ser transformados ao longo do percurso.
Existe uma certa nostalgia nesse movimento. Não uma nostalgia de quem deseja voltar, mas de quem reconhece a beleza da estrada já percorrida.
E hoje, ao entregar minha inscrição da 6º Região à 8ª Região, tive a sensação de encerrar um ciclo que começou muito antes da simples mudança de um registro profissional.
Foi um gesto administrativo, sem dúvida. Mas também foi, de certa forma, um rito.
Um daqueles momentos em que algo aparentemente pequeno ganha um significado maior porque nos permite reconhecer a própria história.
Talvez este texto seja justamente a chancela desse momento.
Uma pausa para olhar para trás, agradecer os caminhos percorridos e reconhecer a pessoa e a profissional que fui me tornando ao longo deles.
A vida é assim.
Os lugares mudam.
As cidades mudam.
Nós mudamos.
E, quando olho para esse percurso, fico com a sensação de que os lugares também guardam histórias. Não apenas as suas próprias, mas um pouco de todas as vidas que por eles passaram.
Quase onze anos depois, o consultório continua no mesmo endereço.
Mas nem ele, nem eu, somos exatamente os mesmos.